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A Arte Não Cura: Por Que o Sintoma Fala Mais Alto Que o Alívio

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  Vivemos uma época em que a arte é cada vez mais convocada a desempenhar uma função terapêutica. Pranchetas de colorir para adultos, playlists curadas para “curar a ansiedade”, exposições vendidas como “espaços de acolhimento emocional” e a onipresença do jargão “processar traumas através da criação” revelam um consenso cultural: a arte deve nos fazer sentir melhor. Ela é imaginada como uma válvula de escape, um bálsamo, um atalho para o bem-estar. Mas e se essa expectativa não apenas empobrecesse a experiência estética, como também traísse a natureza do que a arte, de fato, faz? A psicanálise nos oferece um desvio radical: a obra não está aqui para aliviar. Ela está aqui para sustentar. E é precisamente nessa recusa ao consolo que reside sua força ética e sua potência de verdade. O mito da catarse e a estética do bem-estar Muita da expectativa contemporânea em relação à arte se apoia numa leitura apressada de Aristóteles. Quando o filósofo grego fala em catarse na Poética , não ...

"Descubra como Freud, Jung e Lacan usam mitos gregos como Édipo, Narciso, Dioniso e Perséfone para revelar o inconsciente e o desejo humano.

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  Os antigos gregos não inventaram apenas deuses e heróis — eles criaram narrativas que capturam o drama da alma humana: desejo proibido, perda irreparável, êxtase destruidor, identidade fragmentada. Mais de dois mil anos depois, esses mesmos mitos se tornaram a base da psicanálise. Sigmund Freud, Carl Gustav Jung e Jacques Lacan recorreram à mitologia grega não como curiosidade histórica, mas como ferramenta para mapear o inconsciente — aquele território onde o desejo, o trauma e o conflito se escondem. Por que os mitos gregos ainda falam tanto sobre nós em 2026? Porque eles condensam fantasias universais: o filho que mata o pai, o jovem que se apaixona pela própria imagem, a donzela raptada para o submundo. Freud viu neles estruturas psíquicas; Jung, arquétipos do inconsciente coletivo; Lacan, significantes que estruturam o desejo. Vamos explorar como esses três gigantes da psicanálise releem os contos antigos e o que isso revela sobre nossa angústia moderna. Freud e os Mitos com...

Ansiedade e Angústia na Vida Moderna: O que Freud e Lacan Revelam Sobre o Sofrimento que Ninguém Vê

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Em 2025, o Brasil bateu mais um recorde triste: mais de 546 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais — um aumento de 15% em relação ao ano anterior. A ansiedade liderou o ranking, com 166 mil licenças só nesse ano. Burnout, depressão e crises de pânico já são a segunda maior causa de afastamento, atrás apenas de problemas na coluna. Mas por que tanta gente está “ansiosa crônica” em 2026? A psicanálise — especialmente Freud e Lacan — não trata isso como um simples “desequilíbrio químico”. Ela vai mais fundo: o que chamamos de “ansiedade moderna” muitas vezes é angústia estrutural, um sinal de que algo no nosso desejo e no nosso modo de viver está rachado. Vamos entender a diferença e como a psicanálise explica esse sofrimento que parece “normal” hoje. Ansiedade Cotidiana × Angústia Lacaniana: Não é a Mesma Coisa No dia a dia, quando alguém diz “estou ansioso”, geralmente está falando de ansiedade no sentido médico: coração acelerado, preocupação excessiva, insônia, pensament...

Angústia e Melancolia na Psicanálise: Freud, Klein e Lacan Explicam o Sofrimento Psíquico

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Por Wagner Montanhini Angústia e Melancolia na Visão Psicanalítica: Entre o Desejo, a Perda e o Sofrimento Psíquico Na psicanálise, o sofrimento humano não é compreendido como mero desequilíbrio químico ou anomalia comportamental, mas como o resultado de conflitos inconscientes que atravessam a história, os afetos e as relações do sujeito. Nesse contexto, dois estados profundamente humanos — e frequentemente contemporâneos — merecem atenção especial: a angústia e a melancolia . Embora muitas vezes confundidos ou simplificados, esses fenômenos revelam dimensões complexas da vida psíquica e são centrais para a compreensão do funcionamento do aparelho psíquico. Este artigo explora, com base nas principais contribuições da psicanálise — desde Freud até autores contemporâneos —, o que caracteriza a angústia e a melancolia, como elas se diferenciam, como se articulam e por que são tão relevantes para a clínica psicanalítica e para a compreensão subjetiva do mal-estar na cultura. 1. A Angú...