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A Arte Não Cura: Por Que o Sintoma Fala Mais Alto Que o Alívio

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  Vivemos uma época em que a arte é cada vez mais convocada a desempenhar uma função terapêutica. Pranchetas de colorir para adultos, playlists curadas para “curar a ansiedade”, exposições vendidas como “espaços de acolhimento emocional” e a onipresença do jargão “processar traumas através da criação” revelam um consenso cultural: a arte deve nos fazer sentir melhor. Ela é imaginada como uma válvula de escape, um bálsamo, um atalho para o bem-estar. Mas e se essa expectativa não apenas empobrecesse a experiência estética, como também traísse a natureza do que a arte, de fato, faz? A psicanálise nos oferece um desvio radical: a obra não está aqui para aliviar. Ela está aqui para sustentar. E é precisamente nessa recusa ao consolo que reside sua força ética e sua potência de verdade. O mito da catarse e a estética do bem-estar Muita da expectativa contemporânea em relação à arte se apoia numa leitura apressada de Aristóteles. Quando o filósofo grego fala em catarse na Poética , não ...